POR NIQUELE FONSECA
Esquecer onde deixou a chave, perder um compromisso ou não lembrar o nome de alguém são situações comuns. Mas como saber quando um esquecimento é normal e quando pode ser um sinal de Alzheimer?
No De Bem, a médica geriatra Simone Lima, a neuropsicóloga Viviane Amaral e a terapeuta ocupacional Bárbara Cabral explicaram o que pode afetar a memória, quais mudanças merecem atenção e como cuidar da saúde do cérebro ao longo da vida.
Quais são os primeiros sinais de Alzheimer?
Nem todo esquecimento indica uma doença. Muitas vezes, a dificuldade está na atenção: quando estamos cansados, distraídos ou tentando fazer várias coisas ao mesmo tempo, podemos não registrar uma informação corretamente.
Problemas de sono, estresse, ansiedade, depressão e algumas condições de saúde também podem prejudicar a memória.
“Muitos pacientes chegam ao consultório trazendo essa queixa. E, quando você vai investigar, é outro assunto”, explica a neuropsicóloga Viviane Amaral, ao destacar que nem toda dificuldade de memorização está relacionada ao Alzheimer.
O principal sinal de alerta é a mudança em relação ao comportamento habitual, especialmente quando os esquecimentos começam a prejudicar a rotina.
Entre as situações que merecem investigação estão:
- Repetir perguntas ou histórias várias vezes.
- Esquecer informações recentes com frequência.
- Ter dificuldade para realizar tarefas que antes eram simples.
- Esquecer compromissos ou apresentar problemas para organizar contas.
- Perder-se em lugares conhecidos.
- Demonstrar mudanças importantes de comportamento ou julgamento.
Segundo o National Institute on Aging, essas alterações podem estar entre os sinais da doença. No entanto, nenhum desses sintomas confirma o diagnóstico isoladamente. É necessário procurar avaliação profissional.
Como prevenir o Alzheimer e cuidar da memória?
Não existe uma maneira de garantir que uma pessoa nunca desenvolverá Alzheimer. Mas alguns cuidados podem reduzir o risco de demência e contribuir para um envelhecimento mais saudável.
Um relatório publicado na revista científica The Lancet, em 2024, estimou que até 45% dos casos de demência poderiam ser prevenidos ou adiados com o enfrentamento de 14 fatores de risco modificáveis. Esse percentual é uma estimativa para a população, não uma garantia individual.
Durante o programa, a médica geriatra Simone Lima reforçou a importância de começar os cuidados antes que apareçam dificuldades de memória: “A gente não tem que esperar o sintoma chegar.”
Veja 7 hábitos que ajudam a cuidar da saúde do cérebro
- Pratique atividade física. Movimentar o corpo regularmente contribui para a saúde cardiovascular e ajuda a controlar fatores de risco associados à demência.
- Cuide do sono. Dormir bem é importante para a atenção, a aprendizagem e a memória.
- Controle doenças crônicas. Acompanhar a pressão arterial, o colesterol e o diabetes também faz parte dos cuidados com o cérebro.
- Tenha uma alimentação equilibrada. Priorize uma alimentação variada, com frutas, verduras, legumes e outros alimentos nutritivos.
- Mantenha o cérebro ativo. Ler, aprender algo novo, participar de conversas e realizar atividades interessantes ajudam a estimular diferentes habilidades cognitivas.
- Cultive relações sociais. O convívio com amigos, familiares e outras pessoas favorece o bem-estar e ajuda a combater o isolamento.
- Cuide da audição e da visão. Identificar e tratar dificuldades sensoriais é importante para a comunicação, a autonomia e a saúde cerebral.
Esses cuidados não eliminam o risco de Alzheimer, mas são importantes para a saúde em qualquer idade.
Fazer palavras cruzadas ajuda a prevenir o Alzheimer?
Palavras cruzadas, jogos, leitura e atividades manuais podem estimular diferentes funções cognitivas. No entanto, nenhuma atividade isolada garante a prevenção da doença.
O mais importante é escolher estímulos que façam sentido para cada pessoa.
“As atividades têm que ter significado para a pessoa. Não existe receita de bolo”, destaca a terapeuta ocupacional Bárbara Cabral.
Durante o programa, ela contou que uma atividade sugerida para sua avó, que tinha demência, acabou provocando ansiedade e frustração. O exemplo mostra por que não basta oferecer qualquer jogo: é preciso considerar os interesses, as capacidades e a história de vida de quem participa.
Como ajudar uma pessoa que já tem Alzheimer?
Uma rotina organizada pode facilitar o dia a dia de quem vive com a doença. Manter horários previsíveis, usar lembretes e reduzir distrações são algumas medidas que podem ajudar.
Também é importante preservar a autonomia sempre que possível. Uma pessoa que já não consegue preparar uma refeição sozinha, por exemplo, talvez ainda consiga participar de uma etapa simples da atividade.
O cuidado deve respeitar suas capacidades, preferências e limitações, sem transformar as tarefas em cobranças.
Alzheimer tem cura?
Atualmente, o Alzheimer não tem cura. No entanto, existem tratamentos que podem ajudar a controlar sintomas e, em determinados casos, retardar a progressão da doença.
Além dos medicamentos indicados conforme cada situação, o acompanhamento multidisciplinar e o apoio da família são importantes para preservar a qualidade de vida.
Se os esquecimentos estão se tornando frequentes ou prejudicando atividades habituais, procure avaliação profissional. Investigar as causas é o primeiro passo para receber os cuidados adequados.
Que saber mais sobre memória e Alzheimer?
No De Bem, nossas convidadas explicam como diferenciar esquecimentos comuns de sinais de alerta, quais hábitos ajudam a cuidar da memória e como apoiar uma pessoa que vive com Alzheimer.
Assista ao programa completo: