POR SARA ZEFERINO
O ano é 2026 e um defensor do RB Bragantino disse que a competentíssima árbitra Daiane Muniz não poderia apitar “um jogo desse tamanho”, se referindo a partida contra o São Paulo, pelas quartas de final do Campeonato Paulista. Na entrevista após a derrota na decisão, o zagueiro Gustavo Marques fez um comentário machista e ainda tentou responsabilizar a árbitra pela desclassificação da própria equipe na competição.
A fala do defensor, que questiona a capacidade de Daiane Muniz, é apenas um reflexo do que se vê e se lê, diariamente, na bolha do futebol. O pensamento machista de Gustavo não chega a ser uma grande surpresa para as mulheres que trabalham dentro do esporte, o que surpreende é a liberdade que os homens têm e sentem de proferir machismo e misoginia para um microfone e uma câmera.
Os homens sempre têm plena convicção de que as mulheres podem e devem ser questionadas sobre onde e como estão. Eles são ensinados a duvidar das mulheres em locais que envolvam autoridade.
Qual a solução?
Essa é a pergunta que eu me faço todos os dias e que sigo sem respostas. Certamente não existe uma única solução para um problema tão sério e enraizado. Mas acho que o começo do fim deve ser nos lares, por meio da educação, da conscientização dos meninos, para que eles entendam que a mulher pode ocupar o espaço que quiser sem ser desmerecida pelo simples fato de ser, de estar.
Eduquem seus filhos, sobrinhos, primos, vizinhos, para que entendam que eles não são superiores a nós.
Punir, mas ensinar
O RB Bragantino anunciou, nesta segunda-feira (23/02), que Gustavo Marques recebeu uma multa de 50% do total de seus vencimentos em consequência da declaração machista. “O valor da multa será destinado para a ONG Rendar, que cuida de mulheres em situação de vulnerabilidade na região bragantina”, afirmou o clube.
Quero acreditar que para além da punição, o jogador possa aprender com o próprio erro e rever os conceitos que têm.