Por Adriana Ferreira
Sempre que posso, procuro reforçar a importância da família em ensinar às crianças que o mundo mudou e que não há espaço para o machismo. Estava pensando sobre isso nesta semana, em que os Três Poderes lançam um pacto contra o feminicídio e qualquer outro tipo de violência contra a mulher. Não queria escrever um artigo qualquer. Sabe aquele mais do mesmo, com números estratosféricos de mortes e medidas protetivas aplicadas? Queria algo diferente. Mas o quê?
Meu filho estava na sala. Era isso! Perguntei o que ele achava quando um homem grita com uma mulher. Ele respondeu:
– Eu acho errado.
– Por quê?
– Porque não precisa gritar pra resolver as coisas.
– E quando um homem fala coisas que deixam a mulher triste? Tem gente que até bate em mulher.
– Eu sei. É errado.
– Se você estivesse com uma menina em um lugar com apenas uma cadeira, o que você faria?
– Daria o lugar pra ela. Eu sentaria no chão. Até gosto mais, sabia? É geladinho… (risos)
Ele tem 11 anos e questionou o motivo de tantas perguntas. Falei que escreveria sobre isso. Disse que estava orgulhosa dele, que as respostas mostravam que ele estava no caminho certo. Ele sabia que a mulher é um ser que merece cuidado. Acrescentei que ele pode compartilhar todos esses ensinamentos com os colegas porque todos precisam entender que a mulher de hoje não é a mulher de antes.
Poderia falar que hoje a mulher é uma guerreira, uma Mulher-Maravilha: aquela dá conta de tudo, faz mais de uma coisa ao mesmo tempo e com competência. Isso tudo é verdade. Somos tudo isso. Podemos estar onde queremos, temos direitos, temos vez e temos voz.
No entanto, carregamos as consequências de décadas de preconceito e silenciamento; Precisamos de carinho, cuidado, amor, empatia e de responsabilidades compartilhadas. Reconhecer nossa força não anula a necessidade de proteção mútua, de redes de apoio e de políticas públicas efetivas que garantam segurança e justiça.
A transformação exige ações concretas: educação desde cedo que ensine respeito e igualdade, famílias que conversem abertamente sobre emoções, limites, além de escolas que coloquem questões de gênero no currículo. Precisamos de um jornalismo responsável que não reproduza estereótipos e que não tratem o feminicídio apenas como estatística. Precisamos de instituições que acolham, protejam e punam com rigor.
Pais, mães e toda a sociedade precisam ser protagonistas desta mudança, mostrando que não dá mais para tolerar o machismo. Confio nas mães e nos pais que educam para o respeito. Confio nas escolas que formam cidadãos com empatia. Confio nas políticas públicas que protegem e previnem.
Aposto nas crianças de hoje para que essa mudança se torne realidade. Eu confio no meu filho.