Está tirando dinheiro dos hospitais!

POR RAFAEL CAMPOS


Todo ano é a mesma conversa. Os anticarnaval levantam a voz para desferir críticas — muitas vezes ofensivas — contra quem gosta da folia. E repetem, como um mantra, a indignação com o investimento público na festa. 

Pois bem. Vamos aos fatos. 

Segundo estimativas do Ministério do Turismo, o Carnaval movimentou mais de R$ 18,6 bilhões no país — um resultado 10% superior ao de 2025. Outro dado expressivo: cerca de 65 milhões de pessoas saíram às ruas para celebrar, um aumento de 22% em relação ao mesmo período do ano anterior. São números que falam por si. 

E Belo Horizonte? Quem imaginaria que a capital mineira se tornaria um dos destinos mais desejados da festa? Mais de 6 milhões de pessoas passaram pela cidade durante o Carnaval. Para os entusiastas da economia e do “Senhor Mercado”, vale destacar: mais de R$ 1 bilhão foi movimentado na capital, com a rede hoteleira registrando taxas de ocupação próximas de 100%. 

Se compararmos com outras capitais como Rio Janeiro, Recife e Salvador, o valor de dinheiro que circula em terras belo-horizontinas no período ainda é pequeno, é claro. Mas tal comparação com essas cidades exige cuidados. Afinal, a folia de BH ressurgiu há 16 anos (2009-2010). Estamos caminhando ainda, contudo, o horizonte é bem promissor. 

Ir contra o Carnaval no Brasil é, portanto, nadar contra a maré, torcer contra a força de um vendaval, é fechar os olhos para uma potência cultural e econômica evidente. 

Diante da discussão que tenta explicar por que o Carnaval de Belo Horizonte ainda não é considerado “tão atrativo” para determinados players do mercado, talvez seja hora de ampliar o horizonte. Por que não repensar a forma como lidamos com a festa? Qual é o problema de a Prefeitura investir — sim, investir — no Carnaval, se o retorno econômico é concreto e mensurável? Mais dinheiro circulando, cadeia produtiva aquecida, cultura pulsando e pessoas ocupando a cidade com alegria. 

Não se trata de privilegiar a festa em detrimento de outras áreas básicas e essenciais, mas fortalecer a vertente econômica-criativa, ampliando possibilidades, inclusive, de ofertar renda para a população.  

O investimento privado na festa é bem-vindo, é claro, mas submeter a folia exclusivamente à lógica do mercado é correr o risco de restringi-la a quem pode pagar mais. A proliferação de camarotes como modelo central privilegia e, inevitavelmente, exclui. Isso não condiz com a essência de uma festa popular e democrática, que nasce da rua e pertence a todos. Diante disso, a defesa do prefeito Álvaro Damião da festa sem camarotes é relevante e necessária.  

O poder público não existe apenas para prover saúde, segurança e educação — áreas essenciais, sem dúvida —, mas também para fomentar cultura, lazer e convivência. Investir em Carnaval é investir na economia criativa, no turismo, na geração de renda e na identidade de um povo. 

E, antes que alguém insinue o contrário: não se trata de retirar recursos de hospitais para financiar a festa. Trata-se de compreender que desenvolvimento econômico, cultura e bem-estar social caminham juntos. 

O Carnaval não é gasto. É investimento — econômico, cultural e simbólico. 

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