POR ADRIANA FERREIRA
“Deixa pra depois do Carnaval”, “Depois do Carnaval, a gente resolve”, “Vamos marcar depois do Carnaval?”, “Deixa o Carnaval passar e a gente volta a conversar”… Quem nunca ouviu uma dessas frases? Aposto que você, leitor, já ouviu pelo menos uma delas. No Brasil, existe a concepção de que tudo começa depois do Carnaval. Nunca entendi muito bem por quê. Para mim, sendo mulher, mãe e profissional, cada dia e cada segundo são vividos intensamente. E haja “intensamente” nisso.
Fato é que o Carnaval chegou. A cidade já começa a se encher de foliões, ruas interditadas, já equipadas com sonorização, lojas com mil adereços, fantasias e opções para quem vai curtir a festa. Glitter e purpurina no cabelo, além de uma vontade enorme de cantar: “Eu vou atrás do trio elétrico, vou”. Ops, ainda bem que escrevo e não canto para vocês. Confesso que me empolguei um pouco. É a energia do Carnaval. É assim: quando a gente vê, já está nele! Mas é aí que mora o perigo.
Depois do Carnaval, vem o mundo real. Depois da festa, o escritório; depois da maquiagem, o espelho. Em vez de confete e serpentina, contas e boletos à nossa espera. Esse é o mundo real. Nem sempre colorido, mas que precisa ser encarado de frente. Esse é o mundo que nos faz ser gente.
Tudo isso para dizer que o que se faz no Carnaval não fica no Carnaval. A mão boba e o beijo forçado têm consequência. O NÃO é NÃO. E agora falo, mais especificamente, para você, homem. Você que pensa que a festa te credencia a fazer tudo o que tem vontade só porque é Carnaval. Você que se junta aos amigos, perde a noção da própria identidade e passa a agir como um zumbi em meio a um grupo de baderneiros. Conhece o efeito manada, né? É sobre ele que falo.
Escrevo também para o homem que acha que qualquer mulher está à disposição só porque está fantasiada, com uma roupa mais curta, maquiagem mais colorida ou simplesmente feliz pela festa. Saiba que tudo tem consequência. Se você acha que a bebida vai te encorajar ou ajudar a se divertir, cuidado. O álcool pode ser um acelerador de delitos. Pode ser um passaporte para um caminho sem volta.
Vamos aproveitar o Carnaval, mas lembrando que o mundo real nos espera. Que você possa curtir a festa com a certeza de que, depois, terá coragem de encarar os próximos meses de cara limpa, sem fantasia e sem culpa no cartório. Afinal, esse é o mundo real. E nele, nem tudo é festa.