Batom vermelho

POR ADRIANA FERREIRA


Quem me conhece sabe que adoro escrever sobre o mundo real. Ficção não é minha praia. É no mundo real que encontro inspiração para meus devaneios e reflexões. São as palavras que abrem caminho para que meus pensamentos ganhem forma. 

 E hoje me peguei pensando em um batom vermelho. Mas não é um batom qualquer. É um batom vermelho que acompanha uma mulher que, há mais de 30 anos, respira cultura. Estou falando de Eliane Parreiras, atual diretora-executiva do Cine Theatro Brasil. Até pouco tempo, secretária de Cultura de Belo Horizonte. 

 Ela sempre esteve mergulhada nesse universo e eu poderia ficar aqui, por horas, descrevendo todos os cargos e posições ocupados por ela. Mas vou me ater ao batom vermelho. Ao vermelho que simboliza força, vitalidade, energia, autoridade, feminilidade, amor, sangue e ação. Não sei se a opção pela cor é proposital ou apenas uma escolha pessoal. Só sei que virou marca. Virou identidade. 

 Em uma recente entrevista com ela, tive a oportunidade de falar sobre o que aquele batom vermelho representava para mim: a prova de que a mulher pode deixar sua marca onde quer que esteja. Prova de que a mulher pode ser elegante, simpática, delicada e, ao mesmo tempo, profissional e competente. 

 O vermelho sempre acompanhou mulheres que marcaram a história. No início do século XX, Elizabeth Arden, uma defensora do direito ao voto feminino, distribuiu batom vermelho para mulheres marcharem em Nova Iorque e fez dele símbolo de empoderamento e resistência. Durante a Segunda Guerra, o item simbolizava coragem. 

 Qual mulher não se lembra dos vestidos vermelhos usados pela princesa Diana? Sem falar na cena do filme Cinderela em Paris, na qual Audrey Hepburn desce a escadaria do Museu do Louvre com um vestido de seda vermelho Givenchy. Na arte, não é difícil encontrarmos rainhas com roupas dessa tonalidade representando poder e autoridade. 

 Volto para Eliane Parreiras. A dona do vermelho que constrói caminhos. O vermelho de quem precisa de coragem para defender a arte em tempos difíceis. O vermelho da presença marcante que se faz essência. Talvez ela ainda não tenha percebido, mas ela transformou o batom em extensão da própria história: firme e vibrante ao mesmo tempo. 

 Porque há mulheres que usam vermelho. E há mulheres que são o próprio vermelho. 

 

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