Por Gabriela Sales
Minas Gerais vive um momento que exige atenção redobrada. Nos últimos meses, cresce o número de ações articuladas de facções criminosas que tentam expandir sua atuação para o Estado, aproveitando brechas, rotas estratégicas e, principalmente, a sensação de enfraquecimento da presença do poder público em determinadas regiões.
Esse movimento não passa despercebido pela população. Nesta semana, a região do Barreiro, em Belo Horizonte, vive a restrição do transporte público em horários e linhas específicas, deixando claro que o medo voltou a interferir na rotina das pessoas. Quando ônibus deixam de circular por questões de segurança, o sinal é inequívoco: algo não vai bem. Quem depende do transporte coletivo sente primeiro. Quem trabalha, estuda e precisa atravessar a cidade paga o preço mais alto.
Ao mesmo tempo, operações de ocupação em aglomerados se tornam cada vez mais frequentes. São ações necessárias, muitas vezes urgentes, para conter o avanço do crime organizado e retomar o controle de áreas sensíveis. Mas elas também revelam uma realidade incômoda: o esforço permanente das forças de segurança para impedir que Minas siga o caminho de outros Estados onde facções ditam regras.
Por trás dessas operações, há homens e mulheres que atuam sob pressão constante, com risco elevado e responsabilidade crescente. A Polícia Militar, o Corpo de Bombeiros e demais forças não apenas respondem às ocorrências, mas funcionam como barreira real contra a expansão do crime. São eles que ocupam territórios, tranquilizam comunidades e garantem que o medo não se transforme em caos.
No entanto, enquanto a exigência sobre a tropa aumenta, a valorização segue estagnada. As forças de segurança acumulam anos sem recomposição salarial, convivendo com perdas inflacionárias que corroem o poder de compra e afetam diretamente a qualidade de vida de quem dedica a própria vida à proteção do outro. É uma conta que não fecha: mais missões, mais riscos, mais cobranças e o mesmo salário.
Segurança pública não se sustenta apenas com viaturas, estatísticas ou discursos. Ela depende, sobretudo, de pessoas motivadas, respeitadas e valorizadas. Ignorar a recomposição salarial é enfraquecer, silenciosamente, a principal linha de defesa do Estado.
Minas ainda tem a chance de reagir antes que o problema se agrave. Mas isso exige decisões claras, investimentos equilibrados e reconhecimento concreto de quem está na linha de frente. O medo da população é um alerta. A sobrecarga da tropa é outro. Fingir que nenhum deles existe é o maior risco de todos.